Morte de Orelha: Agressão Gratuita ou Psicopatia?

Causou comoção nacional a agressão e morte do cão comunitário Orelha. A pergunta que a população faz  é : Por quê? O que motiva a agressão a animais indefesos, que ainda por cima estão sendo alimentados e estão inclusos na vida comunitária por meio de tutores adotivos. Aliás, talvez seja o motivo da grande repercussão: cães de rua são frequentemente alvos de maus-tratos e possivelmente mortos sem que tais casos sejam registrados e punidos, exceto em flagrante.

Outra questão levantada a partir da discussão do fato é se tais pessoas são agressores eventuais, que se aproveitam da oportunidade para extravasarem sua agressividade ou estamos diante de um quadro de psicopatia ou sociopatia.

Sociopatia e Psicopatia são transtornos de comportamentos antissociais, mas apresentam diferenças. Enquanto sociopatas são mais impulsivos, psicopatas são mais frios e calculistas. A ação violenta para os sociopatas advém da oportunidade. Já para os psicopatas requer um planejamento prévio ou tem características recorrentes. Seja no nível mental ou factual, psicopatas têm a ação mais aprimorada e não são meros agressores eventuais.

Considerado isoladamente, não é possível afirmar tratar-se de uma ação criminosa única ou quadros de transtorno e comportamento mais graves. Contudo, os envolvidos demonstram algum nível de comportamento antissocial, suscetível a acompanhamento e tratamento, ainda que não associados a quadros mais graves como os já descritos. Qual seja o caso, imprescindíveis as medidas legais cabíveis.

Embora sejam necessários acompanhamento e mais informações, um dos sinais clássicos de psicopatia é a crueldade com animais, merecendo a atenção que a condição mental requer, principalmente por conta da Teoria do Elo.

A Teoria do Elo

Também chamada nos meios psicanalíticos de “The Link”, afirma que a violência interpessoal entre grupos vulneráveis (crianças, mulheres, idosos) estão interligados  e a violência contra animais pode ser um precursor dessa violência interpessoal. Segundo a pesquisadora Barbara dos Santos, é uma conexão invisível da violência.

Esta Teoria surgiu nos Estados Unidos há aproximadamente 50 anos. A teoria trata da conexão entre a violência contra animais e a violência interpessoal, seja ela direta ou indireta, principalmente destinada à indivíduos mais vulneráveis. Dessa forma, evidencia-se que a crueldade animal, a violência doméstica e o abuso infantil estão intimamente conectados e se perpetuam de forma circular até que sejam de alguma maneira desfeitos

Por óbvio, o ciclo de violência interpessoal não necessariamente começará com maus-tratos a animais e chegará ao nível familiar ou comunitário. Não existem padrões absolutos, porém não podem ser descartados os indícios. Afinal, psicopatas são predadores e têm alto potencial para causar dor entre as famílias e a comunidade.

Copycat Crime

Após a divulgação do caso Orelha, outros começaram a aparecer também dirigidos a cães comunitários. Negão, Abacate e Caramelo também foram vítimas. Abacate também morreu.

Na criminologia, o Efeito Copycat (ou crime imitativo) é o fenômeno em que a cobertura midiática de um crime violento serve de modelo para novos atos criminosos. O infrator busca reproduzir o modus operandi ou o impacto público de um caso anterior que ganhou notoriedade. 

Os principais pontos desse conceito incluem:

  • O papel da mídia: A divulgação sensacionalista de detalhes técnicos, nomes e manifestos de criminosos pode atuar como um "gatilho" para indivíduos vulneráveis que buscam reconhecimento ou validação por meio da violência.
  • Contágio Social: Estudos indicam que grandes tragédias, como ataques a escolas ou feminicídios, tendem a gerar novos incidentes em um curto intervalo de tempo devido à sobre-exposição dos fatos.
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